quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Advogados quase vão aos tapas na OAB

 

 


 Jarbas queria aprovar ata do dia que a assinatura foi falsificada
    
Jarbas queria aprovar ata do dia que a assinatura foi falsificada
Edição Gterra



Manobra para aprovar atas com indícios de falhas. Tentativa de desbloquear o dinheiro da venda do terreno da subseção de Altamira. Bate-boca, ânimos exaltados e cobrança por exonerações mal explicadas. Tudo isso aconteceu durante três horas da primeira reunião dos conselheiros da Ordem dos Advogados do Brasil no Pará (OAB-PA) depois do episódio da venda do imóvel e da fraude na assinatura do vice-presidente da entidade, Evaldo Pinto, no final de junho passado.

Na reunião, que começou no final da tarde e foi encerrada às 8h da noite, ficou evidente que a OAB, antes tão unida em torno de seus dirigentes, hoje é uma instituição literalmente rachada ao meio. Por conta disso, conselheiros que divergem das atitudes tomadas pela diretoria, sob o comando do presidente Jarbas Vasconcelos, decidiram nada decidir.

Ou melhor, impuseram uma derrota às pretensões do presidente de aprovar o que ele queria: a ata da sessão do dia 29 de junho, aquela em que a assinatura do vice foi falsificada. Vasconcelos também queria desbloquear R$ 301 mil, dinheiro desembolsado pelo conselheiro Robério D’Oliveira depois do fechamento da negociação - desfeita às pressas depois que o DIÁRIO denunciou o fato, exibindo a revolta da subseção de Altamira e as provas da grosseira fraude na assinatura de Pinto.

Fechada aos jornalistas, que tiveram de esperar do lado de fora da sede da OAB, a reunião teve momentos de extrema tensão. Aliados de Vasconcelos foram para a reunião com a intenção de aprovar tudo o que fosse preciso para tirar o peso do enorme desgaste atirado sobre as costas da instituição com a tramoia malsucedida da venda do terreno.

Os conselheiros que apoiaram a eleição de Vasconcelos, mas que agora se posicionam de forma independente, cobrando explicações convincentes sobre a transação, surpreenderam ao conseguir suspender a aprovação da ata da sessão polêmica em que a negociação do imóvel foi encaminhada e depois concluída, no dia 29.

RENATO CHAVES

O secretário-geral-adjunto, Jorge Medeiros, pediu que seja degravado (copiada em texto) todo o áudio daquela sessão. Esse áudio será submetido à perícia do Instituto de Criminalística Renato Chaves antes de ser degravado. “Não pode haver nenhuma dúvida sobre o conteúdo de tudo o que foi dito naquela sessão, incluindo as divergências sobre a venda”, explicou Medeiros.

Outra derrota para o grupo de Vasconcelos foi o pedido de vistas sobre o desbloqueio dos R$ 301 mil. O bloqueio foi feito atendendo a um pedido do conselheiro Ismael Moraes. O dinheiro ficaria bloqueado, segundo Moraes, para prevenir eventual ação civil de ressarcimento por dano moral coletivo à categoria dos advogados. Além do próprio Moraes, pediram vistas ao processo de desbloqueio do dinheiro, entre outros, os conselheiros Almyr Favacho, Sérgio Couto (conselheiro nato por ser ex-presidente da OAB) e Jorge Medeiros.

O momento mais quente da reunião ocorreu quase ao final, após o vice Evaldo Pinto exigir explicações de Vasconcelos sobre a exoneração dos conselheiros Leonardo Amaral Pinheiro da Silva, da presidência da Comissão de Exame da Ordem, e de Raphael Sampaio Vale, organizador da corrida dos advogados.

O conselheiro Graco Ivo, que é procurador do Estado, fez uma intervenção que irritou diversos conselheiros, afirmando que via uma situação de “hipocrisia” naqueles que faziam oposição às atitudes da atual diretoria, chamando-os de “traidores” e articuladores de “golpes baixos”.

Aos gritos, um conselheiro pediu respeito a Graco Ivo, enfatizando que se não havia respeito dentro da sessão ele se faria respeitar “lá fora”. Os ânimos foram apaziguados e a reunião encerrada. No próximo dia 16 haverá nova reunião dos conselheiros.

RACHA

Na reunião, ficou evidente que a OAB, antes tão unida em torno de seus dirigentes, hoje é uma instituição rachada ao meio. Por conta disso, conselheiros que divergem das atitudes tomadas pela diretoria, sob o comando de Jarbas Vasconcelos, decidiram nada decidir.

“A situação é muito crítica e delicada”

Com o fim da reunião, pontilhada de gritos e discussões intensas, Jarbas Vasconcelos deixou a sala de reunião sem falar com a imprensa. A passos largos, ele se dirigiu imediatamente à sala da diretoria, onde se reuniu informalmente com alguns conselheiros.

A voz exaltada e os gestos tensos deixaram clara a irritação do presidente. Segundo a ex-presidente da OAB, que participou da reunião até o final, Avelina Hesketh, a indefinição da sessão foi causada pelo pedido de vistas por alguns conselheiros, justificada pela alegação da necessidade de análise prévia do caso. “Não foi resolvido. Houve pedido de vistas”, afirmou, ao explicar que o pedido é feito com o objetivo de retirar a pauta de discussão.

Ao ressaltar a tensão que se estabeleceu durante toda a sessão, ela descreveu com poucas palavras a situação pela qual a entidade está passando. “A situação é muito crítica e delicada”, disse. “Na minha leitura, tudo já está esclarecido, agora o Conselho precisa se manifestar”.

Apesar disso, alguns conselheiros alegaram a necessidade de maiores esclarecimentos sobre o caso, adiando a votação. Até que se reúnam novamente, os conselheiros receberão a documentação acerca do processo para análise e posterior manifestação. “A pauta não foi discutida”, disse o membro do Conselho, Marcelo Nobre. “Alguns conselheiros pediram para analisar e trazer o voto por escrito”.

Tendo a assinatura falsificada na procuração usada na negociação do imóvel, o vice-presidente da OAB, Evaldo Pinto, também se reuniu com alguns conselheiros após o término da reunião. O tom da conversa também era intenso. Sem querer se pronunciar sobre o que foi discutido na reunião, ele disse apenas que nada havia sido resolvido. “Acabamos não tirando conclusão nenhuma”, restringiu-se. “Isso poderá ou não ser resolvido na próxima reunião

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