Existe "conluio" entre Advogados e juízes, diz Joaquim Barbosa
O presidente do Conselho Nacional de Justiça, Joaquim Barbosa, afirmou
nesta terça-feira (19/3/13) que existe um conluio entre Juízes e advogados.
Durante julgamento no qual o CNJ determinou a aposentadoria compulsória de um julgador
do Piauí acusado de beneficiar advogados, Barbosa disse que muitos juízes devem
ser colocados para fora da carreira. "Há muitos (juízes) para colocar
para fora. Esse conluio entre juízes e advogados é o que há de mais pernicioso.
Nós sabemos que há decisões graciosas, condescendentes, absolutamente fora das
regras", criticou Barbosa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo
O presidente do CNJ deu a declaração ao debater de forma amistosa sobre
o caso do Piauí com o relator do processo, desembargador Tourinho Neto, que
ficou vencido no julgamento. Tourinho Neto comentou: "Tem juiz que viaja
para o exterior para festa de casamento de advogado e não acontece nada."
Em sua última sessão como conselheiro do CNJ, Tourinho Neto foi o único
a votar contra a aposentadoria compulsória do juiz de Picos (PI) João Borges de
Sousa Filho. Tourinho afirmou que tem amizade com advogados, mas que isso nunca
influenciou suas decisões. O conselheiro disse que existe juiz que instala
câmera no gabinete para se precaver e posteriormente não ser acusado de
beneficiar determinada parte de um processo. "Isso é terrível. Na próxima
Loman (Lei Orgânica da Magistratura) vai estar que juiz não pode estar com
advogado nem com Ministério Público", opinou.
Pouco depois, Tourinho comentou sobre a possibilidade de clientes
escolherem advogados que são próximos a juízes. "O advogado é amigo do
juiz, a parte contratada achando que vai receber benesse", disse. "E
às vezes recebe um tratamentozinho privilegiado", rebateu Barbosa.
Tourinho reagiu e afirmou: "Mas Vossa Excelência é dura como diabo."
Nos debates, Tourinho chegou a comentar a possibilidade de Joaquim
Barbosa se candidatar à Presidência da República no próximo ano. "O juiz,
na maioria dos casos, é um acovardado. Conceder Habeas Corpus exige coragem,
vai contra o que diz a mídia. É mais fácil punir. Vossa Excelência foi
endeusado. Quem sabe não será o próximo presidente da República?",
brincou. O presidente do CNJ afirmou apenas que concede "diversas liminares".

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