Deputado defende prisão de ministros do Supremo
Autor da PEC 33, que limita ação do
STF, Nazareno Fonteles diz que Fux, Gilmar e Cármen Lúcia deveriam
responder a impeachment por decisões sobre royalties e partidos

Autor da PEC 33, que submete algumas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) ao crivo do Congresso, o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) queixa-se da postura de ministros da corte que, a seu ver, desrespeitaram a lei. Para ele, a atuação de Cármen Lúcia e Luiz Fux, no caso dos royalties, e de Gilmar Mendes, no caso dos novos partidos, deveria ser resolvida com prisões e impeachment.
Leonardo Prado/Câmara dos Deputados
Para o petista, presidente da Câmara não pode parar com o andamento da emenda constitucional
Autor da PEC 33, que submete algumas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) ao crivo do Congresso, o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) queixa-se da postura de ministros da corte que, a seu ver, desrespeitaram a lei. Para ele, a atuação de Cármen Lúcia e Luiz Fux, no caso dos royalties, e de Gilmar Mendes, no caso dos novos partidos, deveria ser resolvida com prisões e impeachment.
“Lei dos royalties do petróleo… Carmén Lúcia e Fux. Fux interrompeu o
regimento aqui. Se eu fosse presidente desta Casa ou do Congresso, eu
aposto que se eles fizessem isso, mandava prendê-lo. E depois abria
processo de impeachment, que é isso que está na Constituição, rapaz”,
disparou o deputado, em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco no plenário da Câmara, na noite da última segunda-feira (29).
Ouça as declarações de Nazareno:
Ao comentar a suspensão da votação do projeto que limita a
criação de partidos, Nazareno disse que Gilmar Mendes também merecia ir
para atrás das grades. “Um ato desse, por exemplo, que o Gilmar Mendes
fez aqui, de entrar aqui com uma medida interrompendo uma lei [um
projeto de lei], eu não pensava duas vezes”. O deputado confirmou quando
foi questionado se se referia a “cadeia”. “Não é um atentado ao
poder?”, respondeu Fonteles. “Claro que primeiro você teria que
alertá-lo, mas, se ele reiterasse, é isso. E entrava com processo de
impeachment no Senado contra ele.”
Em dezembro, Luiz Fux suspendeu a votação do Congresso que analisava
os vetos de Dilma à lei dos royalties do petróleo, que tratava da
divisão das bilionárias verbas entre estados produtores e não
produtores. Concluída a votação, em março, foi a vez de a ministra
Cármen Lúcia suspender a nova lei, com os vetos de Dilma derrubados
pelos parlamentares.
“Fica feio pra ele”
Juristas, membros do Judiciário e vários líderes da base governista
criticaram a decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da
Câmara de admitir como constitucional a PEC 33. Alegam que ela viola uma
das cláusulas pétreas da Constituição Federal ao descumprir o princípio
da separação dos poderes (artigo 60 da Carta). Nazareno discorda e
lamenta que o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves
(PMDB-RN), tenha optado por segurar o andamento da proposta, atrasando a
criação da comissão especial que a analisaria. “Ele está mal
assessorado, ele não tem poder nenhum sobre isso”, disse o deputado
petista.
“O que ele tem é que fazer o ato da comissão especial. Só de dizer
isso, ele está ferindo o regimento e fica sujeito à crítica. Se de fato
ele tomar ato sobre isso [segurar], com certeza eu vou recorrer à CCJ
para derrubar a decisão dele, o que fica feio para ele”, disparou
Fonteles. Ele pretende conversar com Alves.
O deputado disse que o Judiciário não tem a palavra final sobre tudo.
“Isso é a mentira que os juízes do Supremo vêm dizendo e a mídia,
reverberando. Não existe palavra final”, afirmou Fonteles. Ele afirma
que, como a Constituição diz que o poder emana do povo, o STF está
“abaixo” dos parlamentares. “O Supremo não é eleito e nem é o povo”,
critica.
Fonteles disse não saber avaliar como anda a opinião dos petistas
sobre a PEC 33, mas entende que o clima na Casa é favorável. O deputado
disse que os parlamentares estão estudando melhor o texto e aceitando-o
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