Exame de ordem corre risco de ser desacreditado!
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| Professor Doutor Aury Lopes Jr. |
Aury
Lopes Júnior, o autor desse artigo é formado em Direito pela
Universidade Federal de Rio Grande, Mestrado e Doutorado em Direito
Processual Penal pela Universidade Complutense de Madrid, Professor
Titular da PUC/RS.
EXAME DA OAB CORRE O SÉRIO RISCO DE SER
DESACREDITADO, alimentando os defensores de sua extinção. É uma pena,
pois ele é fundamental. Parabéns para os aprovados e minha solidariedade
aos reprovados.
Contudo, um índice de aprovação inferior a 17% na primeira fase é sintoma de que o exame realmente não vai bem.
Chega de empurrar toda a responsabilidade para as Faculdades de Direito! Sou professor há
20 anos e conheço bem a realidade da academia. É óbvio que o ensino tem
suas deficiências e que diversos cursos deveriam ser fechados! Mas isso
não justifica a reprovação em massa. Durante muitos anos tive o prazer
de participar da equipe que elaborava a prova da OAB, quando os exames
eram realizados por cada Estado, e presenciei provas horríveis, de
pessoas absolutamente incapazes de exercer a advocacia (que jamais pode
ser uma 'atividade residual', do estilo 'já que não passei em nenhum
concurso, vou advogar'...!). Mas, mesmo com nosso rigor (e quem foi meu
aluno sabe do que estou falando...), no final o índice de aprovação era
próximo a 50%, as vezes, mais do que isso. Agora vc reprovar mais de 80%
dos candidatos na primeira fase é um exagero! A OAB precisa ter um
mínimo de humildade e revisar seu instrumento de avaliação, porque é
inegável que há um sério problema na prova.
O exame é fundamental, mas não assim. Isso não é uma avaliação adequada, é um instrumento de degradação.
E vou além: a exemplo de outros países, deveriamos ter o exame da ordem
e mais um sistema escalonado: nos primeiros 5 anos de advocacia,
somente está autorizado o exercicio em causas de até um determinado
valor, crimes com apenamento menor e restrito aos órgãos de primeiro
grau. Depois disso, com mais experiência, o advogado pode exercer
plenamente. Não é razoável, convenhamos, autorizar indistintamente que
um recém formado atue em qualquer causa, na defesa de qualquer crime e
junto a qualquer tribunal. O prejuízo é imenso para o cliente e até para
a construção da imagem profissional deste jovem advogado.
Mas isso é outra conversa....
Mas isso é outra conversa....
O mais importante é: chega de reducionismo !
O problema não é apenas do ensino jurídico, mas também do inadequado instrumento de avaliação.
COMO ESTÁ, O EXAME DA ORDEM NÃO PODE FICAR! PRECISAMOS DO EXAME DA OAB,
MAS COMO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO E NÃO DE EXCLUSÃO, DE HUMILHAÇÃO.
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