Cavaleiro da ética, Ophir tem telhado de vidro
Autor de discursos moralistas, presidente da OAB,
Ophir Cavalcante, comprova contradição de falas e atos ao se envolver em
mais um escândalo, agora com a usina de Belo Monte; principal motivador
das marchas contra a corrupção, advogado é alvo de ação na justiça por
corrupção e improbidade por receber há 13 anos salário de R$ 20 mil sem
exercer cargo
247 – Com certa destreza para criar discursos
moralistas, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB), Ophir Cavalcante, é o típico exemplo do ditado "faça o que eu
digo, não faça o que eu faço". Ao mesmo tempo em que incentiva a
realização de marchas contra a corrupção pelo País e critica com
veemência qualquer problema que prejudique o Brasil e a sociedade, o
presidente da ordem demonstra ter teto de vidro ao se envolver em
escândalos dignos de grandes revoltas.
O último deles envolve a construção da usina hidrelétrica de Belo
Monte, no Rio Xingu (PA). De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo
deste sábado, 15 depois de a usina ter sido alvo em uma audiência
pública na sede da OAB, em Brasília, o Consórcio Construtor Belo Monte,
formado por nove empreiteiras, contratou o escritório de advocacia de
Ophir Cavalcante para cuidar de uma ação sobre a ilegalidade de uma
paralisação dos operários.
O advogado defende a legalidade do contrato com o empreendimento
sobre o qual, até então, só havia disparado intensas críticas. Em seus
discursos sobre o assunto, Ophir sempre defendeu a inclusão da socidade
civil na fiscalização e monitoramento das obras. Em 2011, ele chegou a
defender que a construção fosse paralisada até que se cumprissem "as
condicionantes" para a execução do projeto.
Outro exemplo que comprova a fragilidade de sua moral diante da
organização que representa os advogados do País é a denúncia de que ele
recebe uma licença remunerada de R$ 20 mil mensais como procurador
federal no Pará, há 13 anos, quando se afastou do cargo. Em dezembro de
2011, na última reunião da ordem, Ophir recebeu uma representação
oferecida por advogados paraenses, pela qual é acusado de corrupção e
improbidade administrativa por ser funcionário fantasma da Universidade
Federal do Pará e da procuradoria do Estado.
Num artigo publicado em março deste ano, o jornalista Elio Gaspari
ironizou a contradição num discurso do advogado de agosto de 2011,
quando Tribunal Regional Federal permitiu que o Senado pagasse salários
acima do teto constitucional de R$ 26.723. À época, ele disse, conforme
cita Gaspari: "O correto para o gestor público é que efetue o corte pelo
teto e que as pessoas que se sentirem prejudicadas procurem o
Judiciário, e não o contrário".
"Em tese, os vencimentos dos procuradores do Pará deveriam ficar
abaixo de um teto de R$ 24.117. Seu "comprovante de pagamento" de
janeiro passado informa que teve um salário bruto de R$ 29.800,59",
escreveu o jornalista. Mais uma vez, portanto, o representante dos
advogados diz uma coisa, enquanto faz outra. Em janeiro deste ano, Ophir
defendeu que as "denúncias não passam de calúnias" e atacou o autor da
representação, o senador Jarbas Vasconcelos, de ter criado um
"factóide". A verdade é que, depois de comprovada a contradição de seus
dicursos com seus atos, o cavaleiro da ética já passou do tempo à frente
da OAB

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